Esta história do título de 87, convenhamos, já passou do ponto.

O Sport que fique com o que está escrito na CBF, e que o Flamengo fique com o que pensam e escrevem todos os grandes clubes brasileiros, pois não cabe na cabeça de ninguém um título de Campeão Brasileiro ser disputado entre o campeão da primeira divisão, contra o campeão da segunda.

O Flamengo e o Internacional não foram a campo por decisão unânime do Clube dos Treze, que nada mais era do que a reunião dos grandes clubes brasileiros.

Há neste tema o lado nebuloso, quando o presidente do Sport, ante a intenção de ingressar no Clube dos Treze, assinou um documento reconhecendo os dois clubes como campeões de 87.

Pelo estatuto do Clube dos Treze, era necessária unanimidade entre os clubes fundadores para a entrada de qualquer novo postulante e, na condição – à época – de presidente, deixei claro que o Flamengo só daria a unanimidade, já que todos os outros clubes estavam de acordo, se o presidente do Sport assinasse o referido documento.

O presidente do Sport assinou e isto ficou engavetado em um cofre do Clube dos Treze, em flagrante manobra política, até ser entregue – e não faz tanto tempo – à presidente Patrícia Amorim, como uma espécie de “favor” em troca do apoio do Flamengo à candidatura de Fábio Koff à presidência do Clube dos Treze. Patrícia fez o papel dela, exibindo para Deus e o mundo, inclusive, tendo entregue o documento na CBF.

Naquela oportunidade, Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, bateu o martelo e decretou o Flamengo campeão de forma oficial. O Sport retornou ao judiciário e, hoje, com certeza, sem muito conhecimento de causa, e com um dos ministros fazendo tremendo gol contra, não ao Flamengo e sim à justiça, talvez querendo demonstrar independência, votou contra o seu clube de coração. Doalcei Camargo tinha razão. O ser humano é indecifrável e, via de regra, muito estranho.  Há exceções…

O que importa, e o que vai ficar na história e na memória de quem teve o privilégio de acompanhar aquela jornada gloriosa, é que o time campeão brasileiro da PRIMEIRA DIVISÃO de 1987, tinha a seguinte formação: Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Ailton, Zinho e Zico; Renato Gaúcho e Bebeto.

O time campeão da SEGUNDA DIVISÃO, alguém lembra? Com todo respeito, isto já encheu o saco.


Após toda batalha do título no campo, onde o Flamengo alcançou o título de campeão brasileiro de 1987, veio à batalha nos tribunais. Numa assembleia, a CBF não reconhece o título do Flamengo e aí começa mais um imbróglio. Não só o Flamengo, mas o Internacional, vice-campeão da Copa União se negam a fazer o cruzamento imposto pela CBF por respeito ao que fora decidido por unanimidade em seu grupo político, o Clube dos 13.

O Conselho Arbitral decidiu por 375 votos a favor contra 104 que o Flamengo foi o Campeão Brasileiro sem a necessidade de haver um cruzamento ou um novo torneio para nova decisão, porém para que a CBF homologasse a mudança no regulamento, era necessária a unanimidade, o que não ocorreu. A CBF foi consultar o CND (Conselho Nacional de Desportos, órgão do Ministério da Educação) que aprovou por unanimidade o título de campeão Brasileiro de 1987 para o Flamengo.

Em 1987, ainda vigorava a Lei 6251/1985, que firmava o CND como a última instância no esporte brasileiro. As federações não tinham autonomia para dar a última palavra em questões jurídicas. A CBF aceitou o fato de o Clube dos 13 organizar e, depois, intrometeu-se para não ficar em baixa. O Clube dos 13 não aceitou e recorreu ao CND, que declarou o Flamengo, por unanimidade, campeão brasileiro explica Manoel Tubino, presidente do CND no ano da polêmica Copa União. Com a decisão favorável ao Flamengo com interferência de um órgão do governo e alheio ao futebol, o Sport recorre à justiça comum contra o próprio governo e também obtém um parecer favorável já que o CND não é um órgão jurídico e sim normativo. A CBF que passava por um momento político complicado e para agradar e não gerar conflitos com os clubes do Norte e Nordeste, reconhece o Sport como campeão por puro cunho político. Segundo o advogado Michel Assef, a CBF pelo seu órgão próprio, o STJ era o único órgão que poderia emitir uma opinião em juízo, o fez considerando o Flamengo como campeão brasileiro de 1987 por unanimidade. Em 1997, o Sport tinha o interesse de ingressar no Clube dos 13 e o Flamengo tinha o direito de veto, o que foi prontamente feito pelo advogado Michel Assef, porém, Michel Assef falou que aceitaria o ingresso caso o Sport declarasse em ata que o Flamengo era o legítimo campeão brasileiro de 1987 e o Sport aceitou a proposta do advogado. Ficou decidido também que o então presidente do Clube dos 13 levaria a ata para a CBF. A discussão foi amenizada até o São Paulo ser bicampeão brasileiro em 2006 e 2007, chegando ao pentacampeonato brasileiro e requerer a posse da Taça das bolinhas que seria entregue ao primeiro pentacampeão brasileiro que já havia ocorrido com o Flamengo em 1992, mas a taça não foi entregue ao Flamengo porque o título de 1987 estava sub judice e a mesma ficou até 2006 na posse da Caixa Econômica Federal. Numa clara decisão política, a CBF entrega a Taça ao São Paulo em 2010 porque a presidente do Flamengo na época, Patrícia Amorim não apoiou para o Clube dos 13, o candidato de Ricardo Teixeira, o ex-presidente do Flamengo Kléber Leite. Quem venceu a eleição, foi Fábio Koff, ex-presidente do Grêmio. O São Paulo sem argumentos com embasamentos e coerência chega a ter na figura de um dos seus ex-dirigentes, Marcos Aurélio Cunha a seguinte declaração: “Juridicamente ele (Flamengo) não é hexacampeão, moralmente claro que é”. Vale lembrar que em 1998, o então presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio que, assinou a ata da reunião do Clube dos 13, em que consta a admissão do Sport com a condição de reconhecimento do Flamengo como legítimo campeão brasileiro de 1987″.


O reconhecimento da CBF em 2011 Baseado num parecer jurídico, em fevereiro de 2011, a CBF reconhece o Flamengo como campeão brasileiro de 1987. O Sport recorreu e em junho do mesmo ano, a 10ª Vara Federal de Pernambuco obriga a CBF a voltar atrás e reconhecer o Sport como único campeão. O Flamengo conseguiu uma vitória no TJ/RJ que, obrigou o São Paulo a devolver a Taça das bolinhas a Caixa Econômica Federal. Em 2014, o STF confirmou o Sport como campeão de 1987. Flamengo entrou com recurso, rejeitado pelo ministro Marco Aurélio Mello em 2016. Como se tratou de uma decisão monocrática, o clube rubro-negro buscou novo recurso, desta vez no colegiado do STF. Em 2 de agosto de 2015, Barroso pediu vista, interrompendo a análise do caso. O relator foi o ministro Marco Aurélio Mello, Rubro Negro, que mesmo assim votou contra o recurso do time de coração. O caso voltou a julgamento no dia 18 de agosto de 2015, na Primeira Turma do STF. Além de Barroso, votou os ministros Luiz Fux, Rosa Weber e Alexandre de Moraes. Os fatos estão expostos e clubismos a parte é difícil não reconhecer o Flamengo como campeão de fato e de direito do Campeonato Brasileiro de 1987.
O Estatuto da FIFA A FIFA, como entidade máxima do futebol mundial, estabelece que apenas títulos conquistados
no campo, respeitando as regras e regulamentos estabelecidos pelas entidades esportivas, são reconhecidos oficialmente. A FIFA não reconhece títulos forjados na justiça comum, pois intende que a justiça desportiva, representada pelas entidades reguladoras do esporte, é responsável por lidar com as questões relacionadas ao futebol, como a aplicação de sanções disciplinares, a resolução de disputas e a validação de resultados. Assim, a FIFA exige que as decisões judiciais relacionadas ao futebol sejam tomadas de acordo com as normas e regulamentos estabelecidos pelas entidades reguladoras do esporte, sendo a Justiça válida somente a Desportiva! Artigo 68, parágrafo .


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